quarta-feira, 2 de agosto de 2017

SMAM - Nosso desmame gentil




SIIIIM! Chegamos a 1 ano e 10 meses de amor liquido, troca, feridas, carinhos e amor muito amor...
Para saber como foi esse ínicio (e meio) lindo e tenebroso, clique aqui e aqui ;)

Bom, domingo se iniciou a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno), e eu poderia falar aqui muitos pontos desse assunto lindo e delicado, mas vim relatar o nosso desmame.
Repararam que quando se trata desse assunto uso sempre a 4ª pessoa do plural, certo?
Sim, porque esse assunto não se resume só a mim ou a mãe. Amamentação é parceria, troca, sintonia, é papo de mãe e bebê.
É como um relacionamento mesmo, e como em todo relacionamento, quando algo não está bom pra uma parte, é preciso resolver o problema ou dar fim nele.
No meu caso, comecei a sentir uma certa necessidade de dormir melhor e incômodo em estar sempre disponível para amamentar.
A Ju tinha 1 ano e 2 meses quando decidi impôr horários e algumas regrinhas para aquela amamentação que era em livre demanda. Estipulei tudo que podia, e não durou nem 1 semana.
Eu ainda não estava pronta pra aquilo, e Julia também não, ela sentia uma falta imensa do mamá e eu sentia uma pena absurda.
Com 1 ano e 10 meses a Ju já não mamava tanto durante o dia, mas não dormia ou se acalmava caso se assustasse ou chorasse se EU, (exclusivamente EEEEUUU) não estivesse perto. Mesmo que não a estivesse amamentando, ela não sentia segurança com mais ninguém se não fosse comigo, a dona da divinas tetas.
Cogitei a idéia de estar começando a criar inconscientemente um ser inseguro e dependente só de mim. Mesmo que isso fosse só mais uma neura materna, estava me sobrecarregando o fato de não ter como dividir certos pesos com o pai da Ju ou com os avós, ou quem ela se sentisse segura (comigo perto).
E mesmo sabendo que essa fase não duraria muito era preciso começar, certo? E como começar?
Assisti 67725 vídeos e dicas sobre desmame noturno e tudo que eu via envolvia um terceiro elemento (pai, cuidador, avó e etc) para ser suporte no processo.
Por aqui temos um pai que vive de jornada dupla, trabalha dia e noite, e eu humanamente não poderia exigir muito dele.
Vesti a capa de super mãe, super mulher, super humana, super bobona e lá fui eu pro desmame noturno.
Éramos eu e ela: eu a mãe exausta das tetas gastas e ela, a bebê que só conhecia essa forma de se consolar e adormecer.
Eu precisava estar ali pra ela, pronta e preparada para ensiná-la a dormir sem o mamá, e mais do que isso mostrá-la que eu poderia ser tudo pra ela além da mão que dá o mamá quando ela quisesse.
A frase que ela memorizou e que dizia e digo até hoje como um mantra é "A MAMÃE TA AQUI."
A primeira noite da missão foi choro, choro, choro, desespero, tiro porrada e bomba, e eu fui a pessoa mais calma da face do universo. Parecia um robô programado para amar e suportar a Ju daquele jeito. Uma coisa que me ajudou foi a mamadeira com água, a oferecia sempre que ela solicitava mamar.
E assim fomos da 0h as 2h de muito choro, colo, musiquinha, mingau, água na mamadeira e "mamãe ta aqui".
Na primeira semana entramos em um acordo de que só ia ter mamá quando o sol entrasse no quartinho dela, ou seja, quando amanhecesse . Durante o dia ela não ligava muito, nosso problema era com o sono.
Na segunda noite não teve choro, nem desespero, eu não deixava de conversar com ela e sempre frisava que eu estava ali e que ela não precisava ficar com medo ou chateada.
As primeiras madrugadas eram assim, minha coluna ardia pois a cada despertada que ela dava era um processo de pegá-la pra ninar ...e tinha que ser em pé.
Com o tempo ela não pediu mais peito durante o dia, e as noites começaram a fluir.
Pronto, ela já sabe que pode dormir sem mamá e que só colo e carinho também curam "dodóis", agora é hora dela descobrir que pode contar com mais colos protetores além do meu.
Um belo dia disse "Amor, hoje Ju dorme com vc ok?" "OK"
E sem nenhum drama mexicano lá foi ela dormir com o pai, sozinhos...a mãe se escondeu no outro quarto e ficou assistindo série. (Oh glória!)

E eu que tava pesquisando tanto sobre o desmame, descobri sobre o desmame gentil (ele ta até no título desse texto), e vi que podem existir mil jeitos de vc amar um ser, mas nenhum nunca vai ser igual ao outro.
Quem foi gentil nessa história foi a Ju. A gentileza dela comigo em entender o meu cansaço, o meu choro na primeira noite junto com ela, o meu limite e em pouco tempo aceitar essa condição.
Ainda estamos desmamando, eu ainda tenho leite, e ela ainda pergunta muito sobre o mamazinho, mas já faz um mês que não mamamos mais e seguimos descobrindo nova coisas e sensações.

Nesse pouco tempo Ju amadureceu e me mostrou que ela é sensacional, mais do que eu achava que ela era.
Encerramos esse ciclo, e começamos um novo...o do crescimento pro mundo, pra fora.

Amamentar é um ato generoso, difícil e que nos proporciona um longo caminhos de sentimentos.
Não se deve julgar ninguém e nenhuma mãe por qualquer decisão que ela faça. EU , Bia optei por amamentar minha filha pelo tempo que fosse preciso, pelo tempo que coubesse a nós.
Mas eu não tõ dentro de ninguém e vice-versa, cada ser é um ser, cada necessidade é uma necessidade, e isso vale pros bebês também.

Viva o mamá, viva o amor!