domingo, 2 de fevereiro de 2020

Carta pra Julia n°2

Filha, 
faz pouco mais de 4 anos desde que te escrevi a última carta de amor.
Antes eu carregava muita coisa aqui dentro (inclusive você que já quase não cabia mais em meu ventre), agora sigo com uma imensidão de coisas aqui dentro e você nos meus braços (também já quase não cabendo mais).
Tudo anda muito doido e doído Ju. 
Já não somos mais 3 num mesmo lar a dois anos, e de lá pra cá tem sido dias difíceis e de infinitos recomeços, e de infinitas formas de amenizar qualquer coisa que possa te afetar.
Já foram muitas casas, idas e vindas, choros e risadas incontáveis e só uma coisa segue intocável por aqui: minha insegurança.
Em minha primeira carta abri todo meu coração em contar o quão cagada de medo eu tava de te por no mundo, e hoje te vendo nele sigo me tremendo de medo em te manter aqui.
Você é incrível Ju, e seu pai segue sendo (da forma e na forma dele, mas segue). Um dia te contaremos sob risadas todas as histórias que cativamos diariamente e sobre todo nosso amor e cuidado em te manter nessa loucura e te ensinar a viver.
Pra falar a verdade, eu ainda sou aprendiz de toda essa merda também, sabe Ju?.
Quatro anos desde que te pus nesse caos, e a quatro anos eu já
aprendi mais coisa do q em todos os meus 26 na terra, e sigo levando socos e bofetadas de realidade diariamente.
Carrego comigo uma culpa nas costas que não me deixa respirar, que me aperta as costelas e ocupa minha cama ao dormir todos os dias. Minhas culpas junto com minhas conquistas se fazem por mim e sós.
Hoje é um domingo de Fevereiro Ju, último dia dos 3 na semana em que você tá perto de mim.
Amanhã te devolvo a sua casa (e que soco no estômago verbalizar essa frase). Como assim? Sua casa na última carta era eu!
Fiz todas as escolhas até aqui pensando em você, em mim e num futuro que pra ser sincera eu não faço idéia de como vai ser, mas não quero correr o risco de não ter tentado até mesmo errar pra achar o acerto.
Todo dia acordo com minha insegurança pesando sobre mim. Todo dia me pergunto por que não errar em ser egoísta e "brigar" pra ter você só pra mim.
Todo dia me ponho nos seus 4 anos no mundo e enxergo ele pelo seus olhos e vejo tudo mais leve e colorido.
Te ver crescer e estar do seu lado é um caminho lindo Ju, mas esse caminho tem um chão quente e eu tô nele descalça acompanhando seu ritmo de andar.
Hoje entendo que tudo sempre será uma fase diante de toda nossa existência. Hoje te vejo chorar por não querer estar comigo e ao mesmo tempo te vejo chorar por uma tela de celular pra estar comigo. É assim mesmo filha... a gente leva um tempão pra ter certeza de onde quer estar e às vezes essa certeza nem dá as caras, e tá tudo bem.
Me perdoa por todas as vezes que falhei com você ou esperei de você algo que era unicamente pra cumprir minhas expectativas, eu também não cumpro as suas, eu sei.
Tenho sempre a impressão de estar fazendo tudo certo, mas no fim de todo o dia me deito e ouço nitidamente no pé do ouvido: Você não faz nada certo mesmo!
E adivinha? Ela mesma. Minha insegurança mais uma vez ocupando meu espaço, tirando meu fôlego, e de mãos dadas a minha ansiedade.
Filha, eu não sei se estou fazendo nem 1/3 da coisa certa na minha vida, seja com você nela todos os dias ou toda ela.
Sei dos meus acertos e sei das cabeçadas que me fizeram chegar neles. Eu não sei quando te farei outras cartas e nem quando você irá lê-las (e se irá), mas eu prometo seguir queimando meus pés pra estar do seu lado e pondo em linhas tortas toda essa confusão.
Eu te amo muito! Te amo mil milhões como diz você. Amanhã você volta pra sua casa...a mamãe não tem casa. A mamãe não faz idéia de quando terá uma do nosso jeito pra chamar de nossa, mas a mamãe vai ser pra sempre a sua casa (acho que falei isso na outra carta), mesmo com umas reformas por fazer.
Com amor,
Sua mãe de 2020.





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

SMAM - Nosso desmame gentil




SIIIIM! Chegamos a 1 ano e 10 meses de amor liquido, troca, feridas, carinhos e amor muito amor...
Para saber como foi esse ínicio (e meio) lindo e tenebroso, clique aqui e aqui ;)

Bom, domingo se iniciou a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno), e eu poderia falar aqui muitos pontos desse assunto lindo e delicado, mas vim relatar o nosso desmame.
Repararam que quando se trata desse assunto uso sempre a 4ª pessoa do plural, certo?
Sim, porque esse assunto não se resume só a mim ou a mãe. Amamentação é parceria, troca, sintonia, é papo de mãe e bebê.
É como um relacionamento mesmo, e como em todo relacionamento, quando algo não está bom pra uma parte, é preciso resolver o problema ou dar fim nele.
No meu caso, comecei a sentir uma certa necessidade de dormir melhor e incômodo em estar sempre disponível para amamentar.
A Ju tinha 1 ano e 2 meses quando decidi impôr horários e algumas regrinhas para aquela amamentação que era em livre demanda. Estipulei tudo que podia, e não durou nem 1 semana.
Eu ainda não estava pronta pra aquilo, e Julia também não, ela sentia uma falta imensa do mamá e eu sentia uma pena absurda.
Com 1 ano e 10 meses a Ju já não mamava tanto durante o dia, mas não dormia ou se acalmava caso se assustasse ou chorasse se EU, (exclusivamente EEEEUUU) não estivesse perto. Mesmo que não a estivesse amamentando, ela não sentia segurança com mais ninguém se não fosse comigo, a dona da divinas tetas.
Cogitei a idéia de estar começando a criar inconscientemente um ser inseguro e dependente só de mim. Mesmo que isso fosse só mais uma neura materna, estava me sobrecarregando o fato de não ter como dividir certos pesos com o pai da Ju ou com os avós, ou quem ela se sentisse segura (comigo perto).
E mesmo sabendo que essa fase não duraria muito era preciso começar, certo? E como começar?
Assisti 67725 vídeos e dicas sobre desmame noturno e tudo que eu via envolvia um terceiro elemento (pai, cuidador, avó e etc) para ser suporte no processo.
Por aqui temos um pai que vive de jornada dupla, trabalha dia e noite, e eu humanamente não poderia exigir muito dele.
Vesti a capa de super mãe, super mulher, super humana, super bobona e lá fui eu pro desmame noturno.
Éramos eu e ela: eu a mãe exausta das tetas gastas e ela, a bebê que só conhecia essa forma de se consolar e adormecer.
Eu precisava estar ali pra ela, pronta e preparada para ensiná-la a dormir sem o mamá, e mais do que isso mostrá-la que eu poderia ser tudo pra ela além da mão que dá o mamá quando ela quisesse.
A frase que ela memorizou e que dizia e digo até hoje como um mantra é "A MAMÃE TA AQUI."
A primeira noite da missão foi choro, choro, choro, desespero, tiro porrada e bomba, e eu fui a pessoa mais calma da face do universo. Parecia um robô programado para amar e suportar a Ju daquele jeito. Uma coisa que me ajudou foi a mamadeira com água, a oferecia sempre que ela solicitava mamar.
E assim fomos da 0h as 2h de muito choro, colo, musiquinha, mingau, água na mamadeira e "mamãe ta aqui".
Na primeira semana entramos em um acordo de que só ia ter mamá quando o sol entrasse no quartinho dela, ou seja, quando amanhecesse . Durante o dia ela não ligava muito, nosso problema era com o sono.
Na segunda noite não teve choro, nem desespero, eu não deixava de conversar com ela e sempre frisava que eu estava ali e que ela não precisava ficar com medo ou chateada.
As primeiras madrugadas eram assim, minha coluna ardia pois a cada despertada que ela dava era um processo de pegá-la pra ninar ...e tinha que ser em pé.
Com o tempo ela não pediu mais peito durante o dia, e as noites começaram a fluir.
Pronto, ela já sabe que pode dormir sem mamá e que só colo e carinho também curam "dodóis", agora é hora dela descobrir que pode contar com mais colos protetores além do meu.
Um belo dia disse "Amor, hoje Ju dorme com vc ok?" "OK"
E sem nenhum drama mexicano lá foi ela dormir com o pai, sozinhos...a mãe se escondeu no outro quarto e ficou assistindo série. (Oh glória!)

E eu que tava pesquisando tanto sobre o desmame, descobri sobre o desmame gentil (ele ta até no título desse texto), e vi que podem existir mil jeitos de vc amar um ser, mas nenhum nunca vai ser igual ao outro.
Quem foi gentil nessa história foi a Ju. A gentileza dela comigo em entender o meu cansaço, o meu choro na primeira noite junto com ela, o meu limite e em pouco tempo aceitar essa condição.
Ainda estamos desmamando, eu ainda tenho leite, e ela ainda pergunta muito sobre o mamazinho, mas já faz um mês que não mamamos mais e seguimos descobrindo nova coisas e sensações.

Nesse pouco tempo Ju amadureceu e me mostrou que ela é sensacional, mais do que eu achava que ela era.
Encerramos esse ciclo, e começamos um novo...o do crescimento pro mundo, pra fora.

Amamentar é um ato generoso, difícil e que nos proporciona um longo caminhos de sentimentos.
Não se deve julgar ninguém e nenhuma mãe por qualquer decisão que ela faça. EU , Bia optei por amamentar minha filha pelo tempo que fosse preciso, pelo tempo que coubesse a nós.
Mas eu não tõ dentro de ninguém e vice-versa, cada ser é um ser, cada necessidade é uma necessidade, e isso vale pros bebês também.

Viva o mamá, viva o amor!



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

6 meses de amamentação exclusiva e em livre demanda!

                                          (Foto: Nayara Pessoa)

Já contei um pouco por aqui como foi nossa lutinha inicial com a amamentação.
Não é fácil, e são poucas as sortudas que conseguem viver um "comercial da pampers".
Bem, depois que Julia aprendeu a mamar corretamente vivemos mais uns perrengues diários e mensais como hiperlactação, leite empedrado, ducto entupido, abscesso bla bla bla.
Mas lá se foram os 6 meses de amamentação exclusiva e em livre demanda! Siiiiiim! Que bom poder gritar isso em alto e bom tom pro mundo ouvir. Siiiiiiim, é possível engordar e satisfazer um bebê apenas com leite materno.
Por aqui a livre demanda foi séria, não teve chupeta, mamadeira, regras, horários. Chorou? Peito! Ta irritada? Peito! Ta com sono,enjoada? Peito, peito, peito...
É cansativo sim, mas o que que na maternidade não é?
Um armário inteiro mudado com decotes, alças e botões pra facilitar nossa vida, né filha?
6 meses ouvindo "só peito? e ela é gordinha assim?" SIIIIIM! 

Vai além do alimento. É conforto, segurança, afeto, carinho, troca, amor, amor, amor.
Mulheres, mães, acreditem em si acreditem no corpo de vocês, essa máquina incrível e projetada pra gerar e nutrir outro ser.
Daqui pra frente será um novo mundo pra minha passarinha descobrir, um mundo incrível de sabores e cores pra ela explorar.
Vamos continuar com o mamá sim, até quando ela quiser.
Vamos nos preparar agora pra ouvir novas frases como "ela não precisa mais do seu leite...ela não está muito grande pra mamar?... ela vai ficar mal acostumada com peito toda hora... não vai me deixar essa menina mamar até os 5 anos hen" Bla bla bla....
Seremos só nós duas a decidir o que virá daqui pra frente, né filha?




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O puerpério como ele é.

Mais conhecido como o monstro do pós parto, o puerpério atinge a maioria das mães "pós paridas".
Mas o que é o puerpério?
Resumidamente, é o caos hormonal que ocorre logo após a mãe dar a luz. Pra saber mais clique aqui.
Óbvio que não são todas que sofrem com o tal, algumas mulheres passam por ele sem problema algum.
Não foi meu caso.
                ( Foto: Nossos primeiros dias)

Logo após o nascimento da Julia, lembro que já sentia uma angústia enorme, ainda no hospital. Era uma vontade de chorar só de lembrar como tinha sido meu parto, como tinha sido dolorido e difícil.
Quando cheguei em casa parecia que eu tava entrando num lugar desconhecido, apesar de estar feliz por estar em casa.
Tudo se multiplica no puerpério, e bem mais a insegurança. Eu que já sentia uma insegurança ainda grávida, no pós parto o meu medo só aumentou.
Existem coisas que contribuem muito para que você sofra ainda mais nessa confusão hormonal. No meu caso quase tudo me afetava.
Morávamos em uma mini casa e o fato de não ter muitos cômodos pra eu me esconder pra chorar já me deixava angustiada, porque a vontade de chorar - com motivo ou não - é inevitável.
Eu tive problemas com a amamentação (pra saber mais, veja post anterior) e essa foi a pior parte  de tudo, o que me fazia achar que eu não seria capaz de alimentar minha filha, e como eu passava 90% do meu dia e noite tentando amamentar a Julia, eu qse não tinha um contato de paz com ela, era sempre ela nervosa com fome e eu nervosa tentando acalma-la no peito.
Eu ficava cansada, preocupada comigo, com a Julia e com o Luizinho. Ele acordando cedo pra trabalhar e acordando de madrugada pra me ajudar, eu me sentia uma vaca por deixar aquilo acontecer e não conseguir fazer tudo sozinha.
Achava que eu tinha que dar conta de tudo.
A minha mãe coitada, sofreu mais que tudo no meu puerpério rsrs
Além de ter que aturar a minha ignorância (que já existe com ou sem hormônios kkk), me deu colo, colo que todas as puerperas precisam.
Meus conselhos para essa fase são:


- CHOREM! 
Eu ouvia sempre as mulheres dizendo que iam pro banheiro chorar, mas como minha casa era um ovo eu não precisei nem ir pro banheiro, chorava ali mesmo rs Aos maridos, mães, acompanhantes, quem estiver por perto, não perguntem "Pq vc ta chorando?" e nem façam comentários como "Ta chorando de bobeira". A vontade de chorar é inevitável, como eu disse, e a necessidade nessa hora é só de colo, abraço e carinho. Nada de perguntas.

- FAÇAM COISAS FORA DA ROTINA DE RECÉM MÃE!
É difícil, claro! Nessa hora você só quer saber de cuidar da cria, esquece até de se cuidar. Então, tirem umas horas ou até minutos pra fazerem qualquer coisa pra distrair. Eu não conseguia nem pegar no meu celular, de tanta tensão. Aí comecei a ir pro banho com mais calma, levava o celular, ouvia música e tentava relaxar. As vezes conseguia, as vezes não rs Mas valia a tentativa.

- NÃO TENHAM MEDO DE PEDIR COLO, CARINHO!
O bom mesmo é receber sem ter que pedir né? Mas caso haja a necessidade de carinho, corra para o abraço.

- TENTE PENSAR QUE VAI PASSAR!
É como uma TPM, mas uma TPM com uma carga a mais de loucura rs Então, tente ao máximo lembrar que você não é assim, você está assim. Quando meus surtos acabavam eu até dava risada. Por isso digo sempre pra chorarem mesmo, porque parece que sai hormônio alheio na lágrima.

- SE NÃO SE SENTIR BEM, DIGA MESMO QUE NÃO QUER VISITAS!
Antes de parir eu achava que não ia querer receber visita nenhuma, e que ia ter um pós parto como um comercial de fraldas RN da Pampers. Mas por incrível que pareça eu rezava todo dia pra ir alguém na minha casa, só assim eu podia ver outros rostos, conversar, rir e ficar toda boba do povo babando minha cria. Ter q ficar enclausurada em casa, numa casa pequena, sofrendo pra dar de mama, toda acabada sem nem poder andar direito, tudo isso me levaria a loucura normalmente, sem nem ter puerpério rs
Porém, tem gente que já sofre o contrário, não gosta de receber visitas. A essas, deixem bem claro q não estão a vontade e determine uma data pro povo ir ver vc e o nenê. Deixa chamarem você de maluca, neurótica...o pós parto é seu, o momento é seu, a loucura é sua e dedo do meio é pra quem palpitar :)

- PASSA MUITO RÁPIDO!
Você não vai sofrer eternamente.
O puerpério passa, seu nenê cresce muito rápido e quando você ver já vai estar bem saracutiando com ele na rua, nem que seja pro teste do pezinho ou revisão médica (até essas saidinhas já nos deixam felizes em passar uma base e um rímel, e arrumar o nenê todo lindo). Tente sempre pensar nisso: vai passar!

                        (Foto: Nossos primeiros dias)
                    
Pois é meu povo, pra maioria o puerpério é bobeira, coisa passageira ( o meu sofrimento durou longas 2 semanas ), mas se não souber lidar com ele, pode desencadear uma depressão pós parto. Aí sim a coisa fica mais séria e mais difícil de lidar.
Esse é o momento de viver e se adaptar, você e o nenê. É preciso paciência e muito, muito amor, carinho e toque.
Hoje relembro pelo o que passei e dou risada, pq é coisa de louco mesmo rs
Mas tenho orgulho de ter passado por tudo, e melhor, de ter passado por cima de tudo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Amamentação - Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim

                                                   (Foto: Thakurani Devi)

Desde o 4o mês de gestação eu já produzia o bendito do colostro.
Todos me diziam " nossa! que maravilha, vai ter leite de sobra!"
Eu tive e tenho, mas esqueceram de me dizer que amamentação não é apenas a quantidade de leite que você vai ter.
Existe um mito que dizem que quem tem um parto cirúrgico não produz leite na mesma "rapidez" de quem tem um parto normal.
Eu tive um parto cirúrgico e logo após o procedimento quando Julia veio pra mim, ela já mamou.
Foi estranho, eu estava deitada numa maca reta e não conseguia amamentar corretamente. Nesse pouco tempo que Julia mamou 'errado' já deu uma feridinha no meu peito, mas nada preocupante.

                  (Foto: na maternidade, o primeiro contato da Juju com o mama)

No mesmo dia a noite eu pude sentar e amamenta-la corretamente. Uma orientadora nos visitava diariamente pra saber se estava tudo ok, e até o dia da alta estava.
Quando chegamos em casa, aconteceu algo que me desesperou, me entristeceu, me desmotivou, me deixou em pânico.
Parecia que eu nunca havia amamentado e Julia nunca havia mamado. Eu não conseguia mais amamentar a Juju. Ela havia desaprendido a pega certa, se irritava, chorava de fome e meus seios machucaram muito por conta da pega incorreta.
Eu não sabia o que fazer, a não ser chorar, e me sentir incapaz de alimentar minha filha.
Pensei em pagar uma consultora de amamentação pra ir na minha casa me socorrer, mas minha cunhada e madrinha da Julia me socorreu antes.
Ela foi na na minha casa e me ajudou na principal tarefa e o que mais me afligia : alimentar minha filha.
Partimos pra bomba de sucção (usei uma da Lillo q é igual uma seringa), consegui tirar com muita dor 15ml e dar pra Julia no copinho. Bastou pra saciar a fome dela naquela hora.
Meu seios estavam enormes, doloridos e feridos.
Bárbara (minha cunhada) me perguntou se eu estava bebendo água e SURPRISE! Eu não estava bebendo agua suficiente e nem estava me alimentando bem, ou seja, foi aí que minha ficha caiu! Como vou alimentar minha filha, se eu mesma não estou me cuidando pra cuidar dela?
   ( Foto: Primeiros dias em casa e muita paciência técnica pra pequena mamar)  

Eu não estava produzindo uma quantidade de leite pra alimenta-la e me dei conta de como era difícil pra ela sugar tão forte pra sair aquele pouquinho de leite.
Ou seja, lá no Hospital eu comia toda hora pois levavam tudo na minha mão e nos obrigavam a comer e beber água, em casa eu não me cobrei e a produção de leite diminuiu.
Além da ajuda sagrada da Babi, procurei também casos e ajuda na internet. Achei várias experiências e grupos de apoio (links no fim do texto) . As dicas mais preciosas e que me ajudaram foram:

- RELAXE! 
Antes de cada mamada procurei fazer um ritual de alongamento pra estar calma e relaxada. Se vc estiver nervosa, ansiosa, seu nenê tb vai ficar. A conexão de vcs ainda é 100%. Um lugar confortável também é essencial, que tenha apoio pra sua coluna e braços.


- BEBA MUUUUITA ÁGUA! 
Até enquanto amamenta. Eu sempre deixo, até hoje 2 garrafinhas d'agua perto da onde amamento. Amamentar dá fome, sede e sono. Eu não gosto de comer amamentando, então sempre belisco alguma coisa sempre pra não sentir essa fome de leão e ficar desconfortável na hora do mama.
E estar em um lugar seguro, com o apoio necessário dá pra dar uma cochilada. 


- CONVERSE COM O BEBÊ!
Nossa, eu bato o maior papo com a Juju tb até hoje. Eu sei q na hora do desespero você não consegue pensar em nada, mt menos em falar com um RN que nem enxerga direito. Mas não! Eles sentem tudo, ouvem e sabem que é a mamãe q está ali, a mesma q o carregou por 9 meses com a mesma paciência q tem q ter na hora da amamentação.


- USE ALGO FÁCIL PARA AJUDAR O BEBÊ NA SUCÇÃO! 
Eu usei a chupeta, chuquinha (até pq eu dava sempre 15ml do meu leite na chuquinha e a colocava para sugar o "resto" no peito) e o meu mindinho. Mas atenção: corte a unha no cotoco e higienize a mão o tempo todo, não só antes da ajudinha. Com o mindinho vc deve por no céu da boca do nenê com cuidado pra não fazer vômito, e deixar ele sugar por 3seg e por logo em seguida no peito.


- FAZER A PINÇA OU TESOURA COM OS DEDOS! 
Segurar o mamilo na base da aréola fazendo o bico pro nenê pegar e por na boquinha.


- DANÇAR! 
Sim, Julia gostava e gosta de mamar quando estou em pé dançando rs

- CONTATO PELE COM PELE!
Julia nasceu no frio, e eu a deixava sempre com muita roupa e luvinhas nas mãos. Isso fazia com que não nos tocássemos. Como ela ficava muito irritada nas mamadas, se arranhava e machucava, entao procurava acalmar ela sempre antes das tentativas. Dava 10 ou 15ml na chuquinha e partia pra missão rs
Todo dia depois do banho dela, eu fechava o quarto todo pra não entrar corrente de ar, tirava minha blusa, a deixava so de fralda e dançava com ela no peito. Depois comecei a deixa-la sem luvas nas mamadas pra que ela me tocasse.

- PERGUNTE COMO FOI A EXPERIENCIA DA AMAMENTAÇÃO A OUTRAS MÃES!
Eu perguntei a muita gente! Gente da familia, amigos, no Facebook pra gente ate que eu não conhecia rsrs
Mas isso vale muito a pena pois te ensinam coisas validas e é sempre bom saber que você não esta sozinha nessa.

(Foto: segurando o mama pra não fugir)

Bem, eu não sou consultora de amamentação nem nada, sou uma mãe que penou 1 semana pra fazer a filha se alimentar e mais que isso, fazer da amamentação um momento de conexão e amor.
Essas dicas deram certo comigo, mas no Googleráculo existem milhões de dicas que podem ajudar.
Alem dessas dicas, a minha principal dica é NÃO DESISTA!
Eu sei que existem casos onde mulheres tem dificuldades na produção de leite ou até não produzem, mas antes de dizerem "eu não tenho leite", não desistam!
O leite materno é sagrado pra um recém nascido, sem contar que o complemento além de estar o os olhos da cara pode causar desconforto no nenê, como cólicas, gases, alergias e etc.
Antes de tirar qualquer conclusão, precisamos lembrar que pro nenê é difícil, assim como é difícil pra mãe também. Estar vivendo o puerpério, mais a dificuldade da amamentação. Porém eles são recém chegados nessa vida louca de ter que se virar, estão aprendendo TUDO! Então, paciência!
Eu e Juju conseguimos ultrapassar essa barreira, mas tenho consciência de que pintarão mais dificuldades daqui pra frente, com a amamentação ou outra coisa. 
A adaptação tem que ser feita com muito amor, tanto pra mãe quanto pro bebê.
Hoje amamentar minha filha com amor e afeto, ver ela crescer, é natural, é lindo, é o nosso momento mais pleno.


Link para ajuda:

Esse grupo virtual e maravilhoso! E tem um grupo no Facebook tb com moderadoras para tirar duvidas :)

Relato do meu parto - O dia em que a passarinha cantou


Pra algumas pessoas o trabalho de parto existe de dois jeitos : aquele q vai lá corta a barriga e sai o nenê e aquele em que algumas horas a mulher sente as dores faz força e o nenê sai.
Nem sempre é assim! O seu corpo nesse período te dá sinais em tempo singular. Mulher nenhuma é uma máquina programada pra parir, cada natureza funciona de um jeito.

(16/08/2015) 36 semanas -
Domingo a noite, meu tampão mucoso começou a sair. Era bem pouquinho mas eu sabia q aquilo não era apenas uma “umidade” da gravidez. Permaneceu saindo, toda ida ao banheiro eu notava ele no papel.
Fiquei com medo pois com 36 semanas se Julia nascesse seria prematura, mas descobri vendo no Googleráculo q o tampão pode ficar semanas saindo até a grande hora.

- (19/8/2015) 37 semanas -
Era uma quarta-feira e eu comecei a sentir muitas contrações de treinamento ( pra quem não sabe, contração de treinamento é apenas um treinamento do seu corpo pro dia em que ela será real. Não dói e geralmente acontece poucas vezes durante o dia e não são ritmadas) e uma indisposição terrível. Não conseguia levantar da cama pra nada e estava bem assustada com as contrações já que foram muitas vezes no dia apesar de indolores. Liguei pra minha mãe ir pra minha casa me ajudar e vigiar já q Luizinho trabalha o dia todo e a noite foi invertar de ser artista rs
Passei o dia monitorando as contrações até que elas pararam, mas eu ainda me sentia bem indisposta e só queria cama, parecia q uma força me puxava pra baixo.

- (21/08/15) 37 semanas -
Sexta feira e eu tinha consulta com meu GO. Acordei com cólica e a tal contração que não doía mas era bem incômoda. Não falei nada pro Luizinho e fui quieta no carro pra consulta. Chegando lá quase não consigo sair do carro com dor e pressão, muita pressão na pelve (fora o peso q eu ja estava q não ajudava muito).
Na consulta falei pro médico o que eu tava sentindo e ele decidiu fazer um toque pra ver se havia alguma dilatação e surpresa! 2cm! Saindo de lá ele me alertou a vigiar as dores e caso aumentasse ir logo pra um hospital pois eu estava dilatando.
Pois bem, a noite chegou e as dores ainda bem chatas. Luizinho tinha show no dia e eu falei pra ele não ir e ficar comigo em casa pq eu tava com medo. Foi ficando mais tarde e a dor me incomodando, então resolvemos ir pra o hospital de Rio das Ostras mesmo já que eu tava dilatando e com dor, não poderíamos demorar. (Sendo que eu tinha escolhido parir no Hospital Municipal da Mulher em CF, mas tava realmente assustada com os 2cm).
Que arrependimento!
Chegamos no Hospital de RO e depois de um exame de toque completamente bruto e desumano de um médico plantonista, descobri q os 2cm permaneciam, mas como eu tava com cólica e contração mesmo q fraca resolveram me internar.
Lembro que na hora q o tal médico açougueiro me falou da internação eu só conseguia sentir medo, sai da sala de avaliação e cai no choro. Abraçava o Luizinho q estava do lado de fora e chorava, me senti completamente sem chão.
Dei entrada na internação, e na troca de roupa notei muito tampão na calcinha e sangue. Ou seja, o toque do médico conseguiu acelerar um processo q talvez não tinha q acontecer.
A sala de pré-parto do Hospital era mista, mas mista mesmo, tinha gente saudável, gente abortando gritando de dor, gente internada com infecção a dias, e um monte de enfermeiras que não faziam silêncio e não respeitavam a ngm em nenhum minuto. Dei entrada no Hospital as 22h da noite e sabia q a madrugada seria longa e só rezava pra hora passar e o plantão trocar pra eu não ter q receber o toque daquele médico de novo.
Foi a pior noite da minha vida! Eu sentia dor e não podia andar nem levantar por conta de um acesso e um soro com buscopan preso numa maca, e era ali que eu tinha de ficar.
Eu chorava e acariciava minha filha na barriga e falava baixinho com ela que ia ficar td bem. Pensava “poxa, uma coisa que devia ser tão feliz, a chegada da minha filha, está se tornando um pesadelo.”
A noite passou, amanheceu o dia e o plantão trocou. Haviam duas médicas atendendo e as duas completamente estressadas pois o hospital estava cheio de pós parto e não tinha mais leito. Uma delas veio me examinar. Fria, antipática me examinou e disse com uma cara de desprezo “Você não tá dilatada, colo do útero altíssimo. Pq te internaram?”
Oi? E os 2cm que foram constatados 2 vzs no dia anterior? Sumiram? Como assim? E essa dor q eu to sentindo?
Ela bem irritada pediu uma ultra pra ver como Julia estava e dependendo do resultado ela encaminharia pra cesárea ou daria alta.
Eu me tremia de medo! Não queria estar ali, não queria imaginar uma cesárea e estava bem decepcionada de ouvir um “vc não esta dilatando”.
Depois da ultra vi que estava tudo bem com a Julia e fiquei tranquila. Perguntei a médica se podia me dar alta já q estava td bem e eu não tava em trabalho de parto. Ela olhou pra mim e disse “ Eu não posso te dar alta pq não fui eu que te internei. Vc vai ficar em observação. ”
Eu tava tão cansada de estar ali, apesar de ter sido só uma noite, parecia q eu tava ali a semanas. Deitei na maca e peguei no sono. Acordei com a bruaca me dando alta. Graças a Deus! Minha mãe subiu pra me buscar e qnd vi o Luizinho na recepção suspirei. (apesar dele estar com uma carinha triste, afinal, todos estavam achando que Julia nasceria naquela noite.) Fui pra casa e recebi muito amor, eu precisava depois da noite traumática.

- (24/08/2015) 38 semanas -
Tentei ligar pro meu médico pra falar com ele do que tinha acontecido e não consegui. Mandei uma mensagem no whatsapp e assim q ele viu marcou uma consulta pra quarta-feira. Disse que a médica provavelmente se equivocou em dizer que eu não estava em trabalho de parto. As tais contrações estavam bem espaçadas mas a cólica tinha aumentado.


- O PARTO -

- (26/08/2015) 38 semanas -
Na madrugada de 25 pra 26/08 eu comecei a sentir contrações fortes e com dor de 10-10 min. Eu estava sozinha em casa e resolvi esperar o máximo pra avisar ao Luizinho já q ele estava tocando nessa noite. Fiquei na bola de pilates e banho quente a noite toda, até q diminuiram pra 5-5 min. Luizinho chegou em casa umas 4h e eu falei com ele das dores e que dessa vez eram diferentes. Ficamos em casa o máximo que consegui e quando deu 6h eu liguei pra minha mãe e avisei pra ela se arrumar que passaríamos lá e íamos pra maternidade, dessa vez Cabo Frio. Eu sabia que tava na hora.
No caminho eu sentia as contrações muito fortes e temia não ter saído dos 2cm de dilatação. Eu tava com muita fome e só pensava em parar em alguma padaria pra tomar café kkkkk mesmo com as contrações.
Chegamos em Cabo Frio, enfim tomei café e demos entrada no hospital. De cara veio uma enfermeira fofa nos receber, ela viu meu estado e já foi me escorando até o banco de espera pra avaliação médica.
O médico que me avaliaria me lembrou o açougueiro de Rio das Ostras e eu rezando pra que ele não me machucasse já que eu ja estava com muita dor. E para minha surpresa o médico foi super gentil, conversou comigo, me distraía nas contrações até q foi me examinar e… 3cm de dilatação. Pensei “meu Deus, todos esses dias de dor e só 3cm?”
Me internaram.
Minha mãe ficou comigo de acompanhante, subimos para sala de pré parto. Tudo bem organizado, enfermeiras e doulas dando auxílio a todas e uma cabine pra cada parturiente e acompanhante.
Em uma hora uma médica veio avaliar e eu ainda nos 3cm. Me botaram na ocitocina e em minutos eu vi o mundo girar. Eu sabia que o tal “sorinho” acelerava o processo, mas nao tinha ideia da dor. Nos intervalos das contrações eu conseguia brincar e falar com a minha mãe, ficava na bola de pilates e no cavalinho, minha mãe massageando.
As dores aumentavam, eu já não conseguia levantar da cama, não queria falar, não queria ouvir, minha mãe tentava me massagear mas parecia que doía mais quando ela enconstava em mim.
Mais uma avaliação médica e nesse toque eu vi a mão da médica com muito sangue e tampão mucoso. Fiquei com medo mas pensei estar mais perto do que eu imaginava de ter minha filha nos braços. A médica depois do toque disse “4cm, bolsa íntegra, vamos estourar!” Eu não tava muito satisfeita com aquilo pois queria o parto mais natural possível, mas algo me dizia pra deixar aquilo acontecer. A médica foi buscar o aparelho pra estourar minha bolsa e antes que ela pegasse, quando pôs a mão pra avaliar, ploft! minha bolsa estorou sem muita dificuldade e sem ter q usar qlr aparelho. Foi aí que começou o grande momento.
Logo depois de estourar a bolsa a médica continuou “com a mão lá dentro”. Mexe pra cá, mexe pra lá, e nessa hora eu já não tinha mais intervalo de contração, a dor era constante e me tirava dali, eu não conseguia enxergar direito o que acontecia, não via a minha mãe e ela estava bem do meu lado, me contorcia.
A médica chamou uma outra médica e a pediu pra avaliar também.
Elas começaram a falar em códigos e abreviações e aquilo começou a me irritar, então eu perguntei em meio a dor “ Pq vcs estão falando em códigos, o que que é isso?” Elas diziam uma sigla (não lembro muito bem qual era a sigla), que significava que eu teria que fazer uma cesárea pois Julia estava empurrando para a saída, mas minha bacia não dilatou pra que ela passasse. Minha filha queria nascer e ao invés de descer eu a sentia subir.
“Querida, vc terá que fazer uma cesárea pois sua filha é grande demais pra sua bacia.”
A dor que me tirava dali deu espaço ao desespero. Eu chorava com muita tristeza, e repetia sem parar “Eu não consegui mãe!”
Minhã mãe segurava minha mão e fazia carinho na minha cabeça e falava coisas pra me confortar, mas eu não conseguia assimilar uma palavra, só lembro da frase “Sua filha quer nascer Bia! Fica firme!” Essa frase bastou. Fiquei com medo, sentia muita dor, e depois de ser informada que seria operada foi tudo muito rápido. A enfermeira doula do hospital ficou do meu lado o tempo todo, e eu deitada na maca reta só conseguia vê-la. Nessa hora as contrações vinham com toda força, e junto com meu medo parecia doer mais.
Meu campo de visão era o teto e algumas pessoas que nem me lembro o rosto. No caminho da sala de cirurgia a doula me disse que Luizinho estava subindo pra entrar na sala comigo. Fiquei mais aliviada, mas não conseguia esboçar nenhuma reação a não ser da dor das contrações.
Eu sofri. Sofri por estar ali naquela sala fria sem ver ninguém, sofri pra tomar a anestesia, estava triste por estar ali. A anestesista viu a tristeza no meu rosto e tentava conversar comigo pra me distrair e eu não queria papo, só ficava perguntando a ela o que ela estava fazendo o tempo todo e a informava das minhas alergias. Ah, ainda tem essa. Eu sou alérgica a os dois medicamentos que eu deveria tomar no pós parto.
Enfim anestesia tomada, corte feito, aí sim deixaram o Luizinho entrar na sala. Eu não conseguia ver o rosto dele por causa da máscara, mas via os olhos dele e bastou. O cara sabe sorrir com o olhos, os mesmos olhos que me encantaram a 3 anos atrás, e aquilo me passou uma paz, a paz que eu precisava.
Eu “senti” me cortarem, e senti a Julia saindo. Não vimos nada por conta da cortina, mas ouvimos a passarinha cantar assim q saiu do ninho. Ela chorou forte e nós tb, mesmo sem vê-la.
A pediatra passou com ela do meu lado e eu a vi muito rápido. Eu perguntei pro Luizinho “Como ela é? Ela tem cabelo?” Luizinho me respondeu “Ela é linda! Muito cabelo!”
Trouxeram ela pra mim e eu pude sentir pela primeira vez minha cria.
Fui pra sala do pós parto com uma tremedeira horrível e sem entender que era da anestesia. Acho q levou uns 20min pra trazerem ela pra mim. 20 min q pra mim foi a eternidade. Foi quando a enfermeira veio com aquele pacotinho lindo (La no HMM eles pedem um kit com roupa e manta do bebê logo na internação, daí qnd nasce ja vai linda e arrumada pra vc. Sem banho. Banho só no dia seguinte).
Julia foi posta direto no meu peito, e já sabia mamar por incrível q pareça. Parece instintivo e é… mas nem tanto. (Amamentação- Essa minha experiencia será relatada depois em outra.)
Logo subiram minha mãe e Luizinho e tudo ficou lindo. Apesar da tremedeira, do mal estar da posição, eu tava feliz de tudo ter corrido bem e minha filha tava ali, mamando, saudável e linda.


- O PÓS PARTO -
Meu pós parto foi bem dolorido. Se eu tivesse que resumir meu parto em uma palavra seria “dor”.
Julia nasceu as 11:16 am, e no mesmo dia, a noite vc precisa levantar pra comer e tomar banho. Eu fui informada disso e fiquei super feliz de saber q ia poder levantar e pegar minha filha direito.
Não sabia o que me aguardava. Eu tava sentindo uma dorzinha do pós anestésico, mas quando me levantaram da maca, meu deus!!! Parecia que todos os meus órgãos iam sair por onde a Julia entrou rsrs
Não consegui andar, e precisei de 3 pessoas pra me dar banho e me apoiar pra andar. Tive que tomar um remédio mais forte na veia durante o banho mesmo pq não aguentava.
Tiraram a minha sonda e eu fiquei em pânico de pensar q teria q levantar pra fazer xixi.
No dia seguinte eu já estava melhor, conseguia me mover e andar melhor mas sempre fazendo tudo lentamente.
No 3o dia, dia da alta, eu já estava bem melhor, consegui fazer tudo e até ajudar no banho da Juju.
Toda dor e sacrifício valeu a pena e por ela, só por ela eu passaria por tudo outra vez.











Carta pra Julia



Filha,
Espero que um dia você possa ler esta carta e que a tecnologia não tenha ido tão longe a ponto de sumir com ela.
Neste exato momento vc tem 34 semanas e 2 dias de vida dentro de meu ventre (e como é bom fazer essa conta). A cama ultimamente tem sido nossa melhor amiga, e nunca me vi em meio a tantas dores, e isso é uma conclusão que acho q ainda terei mesmo quando você já puder ler e entender essa carta. Ser mãe é dolorido. E não ache que digo isso com negatividade, não mesmo! Sinto dores desde que te descobri em mim. Dor de cabeça, dor nos seios, dor no ventre, dor nas costas, dos nos ossos, e quando vc se mexe. Dor lá dentro, mas lá dentro mesmo, dor que não passa com paracetamol (é o único remédio que grávidas podem tomar pra dor na minha época).
Dói de fazer chorar em pensar como vai ser com você aqui fora. Dói de ver o mundo cruel e feio que te espera.
Dói de medo de pensar se vou ser capaz de te proteger, de ensinar, de dar exemplo, de cuidar das suas dores...todas elas.
Aaah se não fosse o amor que ja me cresce!
Tudo bem dosado, dor, medo, insegurança, ansiedade e amor, muito amor.
Mãe é bicho bobo sabe Julia? Eu nem sei como você é, com quem se parece mas sei que você é linda. Claro! Eu sou mãe, e você vai ser pra sempre linda.
Sabe, eu me esforço pra não me martirizar por antecipação, tento não ficar pensando no tipo de mãe que vou ser pra você, tento não me cobrar.
Você tem um pai incrível Julia. Você já deve saber disso, mas quero que saiba que ele é um pai incrível desde então, e sei que do mesmo jeito que ele me assegura e conforta, ele fará o mesmo com você, quem sabe até melhor.
A gente se esforça pra te receber da melhor forma, e tomara que ainda seja assim pra todas as nossas recepções no decorrer da sua vida, por que você vai voar viu? Você vai ser livre pra ir e vir quando quiser, e da mesma forma que eu te espero agora eu vou esperar sempre. Com dor, medo, inseguranças e muito amor.
Ta aí! Acho q ser mãe e ter vários partos durante a vida de um mesmo filho.
Filha, eu te amo. Já amo, seus chutes, suas reboladas, seus pés na minha costela, seus soluços.
Essa carta foi feita com amor, amor de ventre, pois dizem que depois que você sair esse amor vai aumentar.
Então quando você ler essa carta, esse amor já não vai mais caber em mim e vai viver transbordando, e eu espero que transborde pela casa. Ah, aliás, eu costumo dizer que nossa casa somos nós mesmo e as vezes a gente faz casa em pessoas (espero que você já entenda isso), e eu vou sempre ser um lar pra você, como eu sou agora, como serei por 9 meses.
Eu te amo, nós te amamos. Tem um mundo te esperando, e sempre terá. O mundo é seu filha, nunca tenha medo de recebê -lo como presente.
Esse mundo não é perfeito, ninguém e nada é, mas você vai aprender a encaixar seus defeitos na vida e viver.
Eu te amo filha.
Com amor, mamãe.