segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O puerpério como ele é.

Mais conhecido como o monstro do pós parto, o puerpério atinge a maioria das mães "pós paridas".
Mas o que é o puerpério?
Resumidamente, é o caos hormonal que ocorre logo após a mãe dar a luz. Pra saber mais clique aqui.
Óbvio que não são todas que sofrem com o tal, algumas mulheres passam por ele sem problema algum.
Não foi meu caso.
                ( Foto: Nossos primeiros dias)

Logo após o nascimento da Julia, lembro que já sentia uma angústia enorme, ainda no hospital. Era uma vontade de chorar só de lembrar como tinha sido meu parto, como tinha sido dolorido e difícil.
Quando cheguei em casa parecia que eu tava entrando num lugar desconhecido, apesar de estar feliz por estar em casa.
Tudo se multiplica no puerpério, e bem mais a insegurança. Eu que já sentia uma insegurança ainda grávida, no pós parto o meu medo só aumentou.
Existem coisas que contribuem muito para que você sofra ainda mais nessa confusão hormonal. No meu caso quase tudo me afetava.
Morávamos em uma mini casa e o fato de não ter muitos cômodos pra eu me esconder pra chorar já me deixava angustiada, porque a vontade de chorar - com motivo ou não - é inevitável.
Eu tive problemas com a amamentação (pra saber mais, veja post anterior) e essa foi a pior parte  de tudo, o que me fazia achar que eu não seria capaz de alimentar minha filha, e como eu passava 90% do meu dia e noite tentando amamentar a Julia, eu qse não tinha um contato de paz com ela, era sempre ela nervosa com fome e eu nervosa tentando acalma-la no peito.
Eu ficava cansada, preocupada comigo, com a Julia e com o Luizinho. Ele acordando cedo pra trabalhar e acordando de madrugada pra me ajudar, eu me sentia uma vaca por deixar aquilo acontecer e não conseguir fazer tudo sozinha.
Achava que eu tinha que dar conta de tudo.
A minha mãe coitada, sofreu mais que tudo no meu puerpério rsrs
Além de ter que aturar a minha ignorância (que já existe com ou sem hormônios kkk), me deu colo, colo que todas as puerperas precisam.
Meus conselhos para essa fase são:


- CHOREM! 
Eu ouvia sempre as mulheres dizendo que iam pro banheiro chorar, mas como minha casa era um ovo eu não precisei nem ir pro banheiro, chorava ali mesmo rs Aos maridos, mães, acompanhantes, quem estiver por perto, não perguntem "Pq vc ta chorando?" e nem façam comentários como "Ta chorando de bobeira". A vontade de chorar é inevitável, como eu disse, e a necessidade nessa hora é só de colo, abraço e carinho. Nada de perguntas.

- FAÇAM COISAS FORA DA ROTINA DE RECÉM MÃE!
É difícil, claro! Nessa hora você só quer saber de cuidar da cria, esquece até de se cuidar. Então, tirem umas horas ou até minutos pra fazerem qualquer coisa pra distrair. Eu não conseguia nem pegar no meu celular, de tanta tensão. Aí comecei a ir pro banho com mais calma, levava o celular, ouvia música e tentava relaxar. As vezes conseguia, as vezes não rs Mas valia a tentativa.

- NÃO TENHAM MEDO DE PEDIR COLO, CARINHO!
O bom mesmo é receber sem ter que pedir né? Mas caso haja a necessidade de carinho, corra para o abraço.

- TENTE PENSAR QUE VAI PASSAR!
É como uma TPM, mas uma TPM com uma carga a mais de loucura rs Então, tente ao máximo lembrar que você não é assim, você está assim. Quando meus surtos acabavam eu até dava risada. Por isso digo sempre pra chorarem mesmo, porque parece que sai hormônio alheio na lágrima.

- SE NÃO SE SENTIR BEM, DIGA MESMO QUE NÃO QUER VISITAS!
Antes de parir eu achava que não ia querer receber visita nenhuma, e que ia ter um pós parto como um comercial de fraldas RN da Pampers. Mas por incrível que pareça eu rezava todo dia pra ir alguém na minha casa, só assim eu podia ver outros rostos, conversar, rir e ficar toda boba do povo babando minha cria. Ter q ficar enclausurada em casa, numa casa pequena, sofrendo pra dar de mama, toda acabada sem nem poder andar direito, tudo isso me levaria a loucura normalmente, sem nem ter puerpério rs
Porém, tem gente que já sofre o contrário, não gosta de receber visitas. A essas, deixem bem claro q não estão a vontade e determine uma data pro povo ir ver vc e o nenê. Deixa chamarem você de maluca, neurótica...o pós parto é seu, o momento é seu, a loucura é sua e dedo do meio é pra quem palpitar :)

- PASSA MUITO RÁPIDO!
Você não vai sofrer eternamente.
O puerpério passa, seu nenê cresce muito rápido e quando você ver já vai estar bem saracutiando com ele na rua, nem que seja pro teste do pezinho ou revisão médica (até essas saidinhas já nos deixam felizes em passar uma base e um rímel, e arrumar o nenê todo lindo). Tente sempre pensar nisso: vai passar!

                        (Foto: Nossos primeiros dias)
                    
Pois é meu povo, pra maioria o puerpério é bobeira, coisa passageira ( o meu sofrimento durou longas 2 semanas ), mas se não souber lidar com ele, pode desencadear uma depressão pós parto. Aí sim a coisa fica mais séria e mais difícil de lidar.
Esse é o momento de viver e se adaptar, você e o nenê. É preciso paciência e muito, muito amor, carinho e toque.
Hoje relembro pelo o que passei e dou risada, pq é coisa de louco mesmo rs
Mas tenho orgulho de ter passado por tudo, e melhor, de ter passado por cima de tudo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Amamentação - Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim

                                                   (Foto: Thakurani Devi)

Desde o 4o mês de gestação eu já produzia o bendito do colostro.
Todos me diziam " nossa! que maravilha, vai ter leite de sobra!"
Eu tive e tenho, mas esqueceram de me dizer que amamentação não é apenas a quantidade de leite que você vai ter.
Existe um mito que dizem que quem tem um parto cirúrgico não produz leite na mesma "rapidez" de quem tem um parto normal.
Eu tive um parto cirúrgico e logo após o procedimento quando Julia veio pra mim, ela já mamou.
Foi estranho, eu estava deitada numa maca reta e não conseguia amamentar corretamente. Nesse pouco tempo que Julia mamou 'errado' já deu uma feridinha no meu peito, mas nada preocupante.

                  (Foto: na maternidade, o primeiro contato da Juju com o mama)

No mesmo dia a noite eu pude sentar e amamenta-la corretamente. Uma orientadora nos visitava diariamente pra saber se estava tudo ok, e até o dia da alta estava.
Quando chegamos em casa, aconteceu algo que me desesperou, me entristeceu, me desmotivou, me deixou em pânico.
Parecia que eu nunca havia amamentado e Julia nunca havia mamado. Eu não conseguia mais amamentar a Juju. Ela havia desaprendido a pega certa, se irritava, chorava de fome e meus seios machucaram muito por conta da pega incorreta.
Eu não sabia o que fazer, a não ser chorar, e me sentir incapaz de alimentar minha filha.
Pensei em pagar uma consultora de amamentação pra ir na minha casa me socorrer, mas minha cunhada e madrinha da Julia me socorreu antes.
Ela foi na na minha casa e me ajudou na principal tarefa e o que mais me afligia : alimentar minha filha.
Partimos pra bomba de sucção (usei uma da Lillo q é igual uma seringa), consegui tirar com muita dor 15ml e dar pra Julia no copinho. Bastou pra saciar a fome dela naquela hora.
Meu seios estavam enormes, doloridos e feridos.
Bárbara (minha cunhada) me perguntou se eu estava bebendo água e SURPRISE! Eu não estava bebendo agua suficiente e nem estava me alimentando bem, ou seja, foi aí que minha ficha caiu! Como vou alimentar minha filha, se eu mesma não estou me cuidando pra cuidar dela?
   ( Foto: Primeiros dias em casa e muita paciência técnica pra pequena mamar)  

Eu não estava produzindo uma quantidade de leite pra alimenta-la e me dei conta de como era difícil pra ela sugar tão forte pra sair aquele pouquinho de leite.
Ou seja, lá no Hospital eu comia toda hora pois levavam tudo na minha mão e nos obrigavam a comer e beber água, em casa eu não me cobrei e a produção de leite diminuiu.
Além da ajuda sagrada da Babi, procurei também casos e ajuda na internet. Achei várias experiências e grupos de apoio (links no fim do texto) . As dicas mais preciosas e que me ajudaram foram:

- RELAXE! 
Antes de cada mamada procurei fazer um ritual de alongamento pra estar calma e relaxada. Se vc estiver nervosa, ansiosa, seu nenê tb vai ficar. A conexão de vcs ainda é 100%. Um lugar confortável também é essencial, que tenha apoio pra sua coluna e braços.


- BEBA MUUUUITA ÁGUA! 
Até enquanto amamenta. Eu sempre deixo, até hoje 2 garrafinhas d'agua perto da onde amamento. Amamentar dá fome, sede e sono. Eu não gosto de comer amamentando, então sempre belisco alguma coisa sempre pra não sentir essa fome de leão e ficar desconfortável na hora do mama.
E estar em um lugar seguro, com o apoio necessário dá pra dar uma cochilada. 


- CONVERSE COM O BEBÊ!
Nossa, eu bato o maior papo com a Juju tb até hoje. Eu sei q na hora do desespero você não consegue pensar em nada, mt menos em falar com um RN que nem enxerga direito. Mas não! Eles sentem tudo, ouvem e sabem que é a mamãe q está ali, a mesma q o carregou por 9 meses com a mesma paciência q tem q ter na hora da amamentação.


- USE ALGO FÁCIL PARA AJUDAR O BEBÊ NA SUCÇÃO! 
Eu usei a chupeta, chuquinha (até pq eu dava sempre 15ml do meu leite na chuquinha e a colocava para sugar o "resto" no peito) e o meu mindinho. Mas atenção: corte a unha no cotoco e higienize a mão o tempo todo, não só antes da ajudinha. Com o mindinho vc deve por no céu da boca do nenê com cuidado pra não fazer vômito, e deixar ele sugar por 3seg e por logo em seguida no peito.


- FAZER A PINÇA OU TESOURA COM OS DEDOS! 
Segurar o mamilo na base da aréola fazendo o bico pro nenê pegar e por na boquinha.


- DANÇAR! 
Sim, Julia gostava e gosta de mamar quando estou em pé dançando rs

- CONTATO PELE COM PELE!
Julia nasceu no frio, e eu a deixava sempre com muita roupa e luvinhas nas mãos. Isso fazia com que não nos tocássemos. Como ela ficava muito irritada nas mamadas, se arranhava e machucava, entao procurava acalmar ela sempre antes das tentativas. Dava 10 ou 15ml na chuquinha e partia pra missão rs
Todo dia depois do banho dela, eu fechava o quarto todo pra não entrar corrente de ar, tirava minha blusa, a deixava so de fralda e dançava com ela no peito. Depois comecei a deixa-la sem luvas nas mamadas pra que ela me tocasse.

- PERGUNTE COMO FOI A EXPERIENCIA DA AMAMENTAÇÃO A OUTRAS MÃES!
Eu perguntei a muita gente! Gente da familia, amigos, no Facebook pra gente ate que eu não conhecia rsrs
Mas isso vale muito a pena pois te ensinam coisas validas e é sempre bom saber que você não esta sozinha nessa.

(Foto: segurando o mama pra não fugir)

Bem, eu não sou consultora de amamentação nem nada, sou uma mãe que penou 1 semana pra fazer a filha se alimentar e mais que isso, fazer da amamentação um momento de conexão e amor.
Essas dicas deram certo comigo, mas no Googleráculo existem milhões de dicas que podem ajudar.
Alem dessas dicas, a minha principal dica é NÃO DESISTA!
Eu sei que existem casos onde mulheres tem dificuldades na produção de leite ou até não produzem, mas antes de dizerem "eu não tenho leite", não desistam!
O leite materno é sagrado pra um recém nascido, sem contar que o complemento além de estar o os olhos da cara pode causar desconforto no nenê, como cólicas, gases, alergias e etc.
Antes de tirar qualquer conclusão, precisamos lembrar que pro nenê é difícil, assim como é difícil pra mãe também. Estar vivendo o puerpério, mais a dificuldade da amamentação. Porém eles são recém chegados nessa vida louca de ter que se virar, estão aprendendo TUDO! Então, paciência!
Eu e Juju conseguimos ultrapassar essa barreira, mas tenho consciência de que pintarão mais dificuldades daqui pra frente, com a amamentação ou outra coisa. 
A adaptação tem que ser feita com muito amor, tanto pra mãe quanto pro bebê.
Hoje amamentar minha filha com amor e afeto, ver ela crescer, é natural, é lindo, é o nosso momento mais pleno.


Link para ajuda:

Esse grupo virtual e maravilhoso! E tem um grupo no Facebook tb com moderadoras para tirar duvidas :)

Relato do meu parto - O dia em que a passarinha cantou


Pra algumas pessoas o trabalho de parto existe de dois jeitos : aquele q vai lá corta a barriga e sai o nenê e aquele em que algumas horas a mulher sente as dores faz força e o nenê sai.
Nem sempre é assim! O seu corpo nesse período te dá sinais em tempo singular. Mulher nenhuma é uma máquina programada pra parir, cada natureza funciona de um jeito.

(16/08/2015) 36 semanas -
Domingo a noite, meu tampão mucoso começou a sair. Era bem pouquinho mas eu sabia q aquilo não era apenas uma “umidade” da gravidez. Permaneceu saindo, toda ida ao banheiro eu notava ele no papel.
Fiquei com medo pois com 36 semanas se Julia nascesse seria prematura, mas descobri vendo no Googleráculo q o tampão pode ficar semanas saindo até a grande hora.

- (19/8/2015) 37 semanas -
Era uma quarta-feira e eu comecei a sentir muitas contrações de treinamento ( pra quem não sabe, contração de treinamento é apenas um treinamento do seu corpo pro dia em que ela será real. Não dói e geralmente acontece poucas vezes durante o dia e não são ritmadas) e uma indisposição terrível. Não conseguia levantar da cama pra nada e estava bem assustada com as contrações já que foram muitas vezes no dia apesar de indolores. Liguei pra minha mãe ir pra minha casa me ajudar e vigiar já q Luizinho trabalha o dia todo e a noite foi invertar de ser artista rs
Passei o dia monitorando as contrações até que elas pararam, mas eu ainda me sentia bem indisposta e só queria cama, parecia q uma força me puxava pra baixo.

- (21/08/15) 37 semanas -
Sexta feira e eu tinha consulta com meu GO. Acordei com cólica e a tal contração que não doía mas era bem incômoda. Não falei nada pro Luizinho e fui quieta no carro pra consulta. Chegando lá quase não consigo sair do carro com dor e pressão, muita pressão na pelve (fora o peso q eu ja estava q não ajudava muito).
Na consulta falei pro médico o que eu tava sentindo e ele decidiu fazer um toque pra ver se havia alguma dilatação e surpresa! 2cm! Saindo de lá ele me alertou a vigiar as dores e caso aumentasse ir logo pra um hospital pois eu estava dilatando.
Pois bem, a noite chegou e as dores ainda bem chatas. Luizinho tinha show no dia e eu falei pra ele não ir e ficar comigo em casa pq eu tava com medo. Foi ficando mais tarde e a dor me incomodando, então resolvemos ir pra o hospital de Rio das Ostras mesmo já que eu tava dilatando e com dor, não poderíamos demorar. (Sendo que eu tinha escolhido parir no Hospital Municipal da Mulher em CF, mas tava realmente assustada com os 2cm).
Que arrependimento!
Chegamos no Hospital de RO e depois de um exame de toque completamente bruto e desumano de um médico plantonista, descobri q os 2cm permaneciam, mas como eu tava com cólica e contração mesmo q fraca resolveram me internar.
Lembro que na hora q o tal médico açougueiro me falou da internação eu só conseguia sentir medo, sai da sala de avaliação e cai no choro. Abraçava o Luizinho q estava do lado de fora e chorava, me senti completamente sem chão.
Dei entrada na internação, e na troca de roupa notei muito tampão na calcinha e sangue. Ou seja, o toque do médico conseguiu acelerar um processo q talvez não tinha q acontecer.
A sala de pré-parto do Hospital era mista, mas mista mesmo, tinha gente saudável, gente abortando gritando de dor, gente internada com infecção a dias, e um monte de enfermeiras que não faziam silêncio e não respeitavam a ngm em nenhum minuto. Dei entrada no Hospital as 22h da noite e sabia q a madrugada seria longa e só rezava pra hora passar e o plantão trocar pra eu não ter q receber o toque daquele médico de novo.
Foi a pior noite da minha vida! Eu sentia dor e não podia andar nem levantar por conta de um acesso e um soro com buscopan preso numa maca, e era ali que eu tinha de ficar.
Eu chorava e acariciava minha filha na barriga e falava baixinho com ela que ia ficar td bem. Pensava “poxa, uma coisa que devia ser tão feliz, a chegada da minha filha, está se tornando um pesadelo.”
A noite passou, amanheceu o dia e o plantão trocou. Haviam duas médicas atendendo e as duas completamente estressadas pois o hospital estava cheio de pós parto e não tinha mais leito. Uma delas veio me examinar. Fria, antipática me examinou e disse com uma cara de desprezo “Você não tá dilatada, colo do útero altíssimo. Pq te internaram?”
Oi? E os 2cm que foram constatados 2 vzs no dia anterior? Sumiram? Como assim? E essa dor q eu to sentindo?
Ela bem irritada pediu uma ultra pra ver como Julia estava e dependendo do resultado ela encaminharia pra cesárea ou daria alta.
Eu me tremia de medo! Não queria estar ali, não queria imaginar uma cesárea e estava bem decepcionada de ouvir um “vc não esta dilatando”.
Depois da ultra vi que estava tudo bem com a Julia e fiquei tranquila. Perguntei a médica se podia me dar alta já q estava td bem e eu não tava em trabalho de parto. Ela olhou pra mim e disse “ Eu não posso te dar alta pq não fui eu que te internei. Vc vai ficar em observação. ”
Eu tava tão cansada de estar ali, apesar de ter sido só uma noite, parecia q eu tava ali a semanas. Deitei na maca e peguei no sono. Acordei com a bruaca me dando alta. Graças a Deus! Minha mãe subiu pra me buscar e qnd vi o Luizinho na recepção suspirei. (apesar dele estar com uma carinha triste, afinal, todos estavam achando que Julia nasceria naquela noite.) Fui pra casa e recebi muito amor, eu precisava depois da noite traumática.

- (24/08/2015) 38 semanas -
Tentei ligar pro meu médico pra falar com ele do que tinha acontecido e não consegui. Mandei uma mensagem no whatsapp e assim q ele viu marcou uma consulta pra quarta-feira. Disse que a médica provavelmente se equivocou em dizer que eu não estava em trabalho de parto. As tais contrações estavam bem espaçadas mas a cólica tinha aumentado.


- O PARTO -

- (26/08/2015) 38 semanas -
Na madrugada de 25 pra 26/08 eu comecei a sentir contrações fortes e com dor de 10-10 min. Eu estava sozinha em casa e resolvi esperar o máximo pra avisar ao Luizinho já q ele estava tocando nessa noite. Fiquei na bola de pilates e banho quente a noite toda, até q diminuiram pra 5-5 min. Luizinho chegou em casa umas 4h e eu falei com ele das dores e que dessa vez eram diferentes. Ficamos em casa o máximo que consegui e quando deu 6h eu liguei pra minha mãe e avisei pra ela se arrumar que passaríamos lá e íamos pra maternidade, dessa vez Cabo Frio. Eu sabia que tava na hora.
No caminho eu sentia as contrações muito fortes e temia não ter saído dos 2cm de dilatação. Eu tava com muita fome e só pensava em parar em alguma padaria pra tomar café kkkkk mesmo com as contrações.
Chegamos em Cabo Frio, enfim tomei café e demos entrada no hospital. De cara veio uma enfermeira fofa nos receber, ela viu meu estado e já foi me escorando até o banco de espera pra avaliação médica.
O médico que me avaliaria me lembrou o açougueiro de Rio das Ostras e eu rezando pra que ele não me machucasse já que eu ja estava com muita dor. E para minha surpresa o médico foi super gentil, conversou comigo, me distraía nas contrações até q foi me examinar e… 3cm de dilatação. Pensei “meu Deus, todos esses dias de dor e só 3cm?”
Me internaram.
Minha mãe ficou comigo de acompanhante, subimos para sala de pré parto. Tudo bem organizado, enfermeiras e doulas dando auxílio a todas e uma cabine pra cada parturiente e acompanhante.
Em uma hora uma médica veio avaliar e eu ainda nos 3cm. Me botaram na ocitocina e em minutos eu vi o mundo girar. Eu sabia que o tal “sorinho” acelerava o processo, mas nao tinha ideia da dor. Nos intervalos das contrações eu conseguia brincar e falar com a minha mãe, ficava na bola de pilates e no cavalinho, minha mãe massageando.
As dores aumentavam, eu já não conseguia levantar da cama, não queria falar, não queria ouvir, minha mãe tentava me massagear mas parecia que doía mais quando ela enconstava em mim.
Mais uma avaliação médica e nesse toque eu vi a mão da médica com muito sangue e tampão mucoso. Fiquei com medo mas pensei estar mais perto do que eu imaginava de ter minha filha nos braços. A médica depois do toque disse “4cm, bolsa íntegra, vamos estourar!” Eu não tava muito satisfeita com aquilo pois queria o parto mais natural possível, mas algo me dizia pra deixar aquilo acontecer. A médica foi buscar o aparelho pra estourar minha bolsa e antes que ela pegasse, quando pôs a mão pra avaliar, ploft! minha bolsa estorou sem muita dificuldade e sem ter q usar qlr aparelho. Foi aí que começou o grande momento.
Logo depois de estourar a bolsa a médica continuou “com a mão lá dentro”. Mexe pra cá, mexe pra lá, e nessa hora eu já não tinha mais intervalo de contração, a dor era constante e me tirava dali, eu não conseguia enxergar direito o que acontecia, não via a minha mãe e ela estava bem do meu lado, me contorcia.
A médica chamou uma outra médica e a pediu pra avaliar também.
Elas começaram a falar em códigos e abreviações e aquilo começou a me irritar, então eu perguntei em meio a dor “ Pq vcs estão falando em códigos, o que que é isso?” Elas diziam uma sigla (não lembro muito bem qual era a sigla), que significava que eu teria que fazer uma cesárea pois Julia estava empurrando para a saída, mas minha bacia não dilatou pra que ela passasse. Minha filha queria nascer e ao invés de descer eu a sentia subir.
“Querida, vc terá que fazer uma cesárea pois sua filha é grande demais pra sua bacia.”
A dor que me tirava dali deu espaço ao desespero. Eu chorava com muita tristeza, e repetia sem parar “Eu não consegui mãe!”
Minhã mãe segurava minha mão e fazia carinho na minha cabeça e falava coisas pra me confortar, mas eu não conseguia assimilar uma palavra, só lembro da frase “Sua filha quer nascer Bia! Fica firme!” Essa frase bastou. Fiquei com medo, sentia muita dor, e depois de ser informada que seria operada foi tudo muito rápido. A enfermeira doula do hospital ficou do meu lado o tempo todo, e eu deitada na maca reta só conseguia vê-la. Nessa hora as contrações vinham com toda força, e junto com meu medo parecia doer mais.
Meu campo de visão era o teto e algumas pessoas que nem me lembro o rosto. No caminho da sala de cirurgia a doula me disse que Luizinho estava subindo pra entrar na sala comigo. Fiquei mais aliviada, mas não conseguia esboçar nenhuma reação a não ser da dor das contrações.
Eu sofri. Sofri por estar ali naquela sala fria sem ver ninguém, sofri pra tomar a anestesia, estava triste por estar ali. A anestesista viu a tristeza no meu rosto e tentava conversar comigo pra me distrair e eu não queria papo, só ficava perguntando a ela o que ela estava fazendo o tempo todo e a informava das minhas alergias. Ah, ainda tem essa. Eu sou alérgica a os dois medicamentos que eu deveria tomar no pós parto.
Enfim anestesia tomada, corte feito, aí sim deixaram o Luizinho entrar na sala. Eu não conseguia ver o rosto dele por causa da máscara, mas via os olhos dele e bastou. O cara sabe sorrir com o olhos, os mesmos olhos que me encantaram a 3 anos atrás, e aquilo me passou uma paz, a paz que eu precisava.
Eu “senti” me cortarem, e senti a Julia saindo. Não vimos nada por conta da cortina, mas ouvimos a passarinha cantar assim q saiu do ninho. Ela chorou forte e nós tb, mesmo sem vê-la.
A pediatra passou com ela do meu lado e eu a vi muito rápido. Eu perguntei pro Luizinho “Como ela é? Ela tem cabelo?” Luizinho me respondeu “Ela é linda! Muito cabelo!”
Trouxeram ela pra mim e eu pude sentir pela primeira vez minha cria.
Fui pra sala do pós parto com uma tremedeira horrível e sem entender que era da anestesia. Acho q levou uns 20min pra trazerem ela pra mim. 20 min q pra mim foi a eternidade. Foi quando a enfermeira veio com aquele pacotinho lindo (La no HMM eles pedem um kit com roupa e manta do bebê logo na internação, daí qnd nasce ja vai linda e arrumada pra vc. Sem banho. Banho só no dia seguinte).
Julia foi posta direto no meu peito, e já sabia mamar por incrível q pareça. Parece instintivo e é… mas nem tanto. (Amamentação- Essa minha experiencia será relatada depois em outra.)
Logo subiram minha mãe e Luizinho e tudo ficou lindo. Apesar da tremedeira, do mal estar da posição, eu tava feliz de tudo ter corrido bem e minha filha tava ali, mamando, saudável e linda.


- O PÓS PARTO -
Meu pós parto foi bem dolorido. Se eu tivesse que resumir meu parto em uma palavra seria “dor”.
Julia nasceu as 11:16 am, e no mesmo dia, a noite vc precisa levantar pra comer e tomar banho. Eu fui informada disso e fiquei super feliz de saber q ia poder levantar e pegar minha filha direito.
Não sabia o que me aguardava. Eu tava sentindo uma dorzinha do pós anestésico, mas quando me levantaram da maca, meu deus!!! Parecia que todos os meus órgãos iam sair por onde a Julia entrou rsrs
Não consegui andar, e precisei de 3 pessoas pra me dar banho e me apoiar pra andar. Tive que tomar um remédio mais forte na veia durante o banho mesmo pq não aguentava.
Tiraram a minha sonda e eu fiquei em pânico de pensar q teria q levantar pra fazer xixi.
No dia seguinte eu já estava melhor, conseguia me mover e andar melhor mas sempre fazendo tudo lentamente.
No 3o dia, dia da alta, eu já estava bem melhor, consegui fazer tudo e até ajudar no banho da Juju.
Toda dor e sacrifício valeu a pena e por ela, só por ela eu passaria por tudo outra vez.











Carta pra Julia



Filha,
Espero que um dia você possa ler esta carta e que a tecnologia não tenha ido tão longe a ponto de sumir com ela.
Neste exato momento vc tem 34 semanas e 2 dias de vida dentro de meu ventre (e como é bom fazer essa conta). A cama ultimamente tem sido nossa melhor amiga, e nunca me vi em meio a tantas dores, e isso é uma conclusão que acho q ainda terei mesmo quando você já puder ler e entender essa carta. Ser mãe é dolorido. E não ache que digo isso com negatividade, não mesmo! Sinto dores desde que te descobri em mim. Dor de cabeça, dor nos seios, dor no ventre, dor nas costas, dos nos ossos, e quando vc se mexe. Dor lá dentro, mas lá dentro mesmo, dor que não passa com paracetamol (é o único remédio que grávidas podem tomar pra dor na minha época).
Dói de fazer chorar em pensar como vai ser com você aqui fora. Dói de ver o mundo cruel e feio que te espera.
Dói de medo de pensar se vou ser capaz de te proteger, de ensinar, de dar exemplo, de cuidar das suas dores...todas elas.
Aaah se não fosse o amor que ja me cresce!
Tudo bem dosado, dor, medo, insegurança, ansiedade e amor, muito amor.
Mãe é bicho bobo sabe Julia? Eu nem sei como você é, com quem se parece mas sei que você é linda. Claro! Eu sou mãe, e você vai ser pra sempre linda.
Sabe, eu me esforço pra não me martirizar por antecipação, tento não ficar pensando no tipo de mãe que vou ser pra você, tento não me cobrar.
Você tem um pai incrível Julia. Você já deve saber disso, mas quero que saiba que ele é um pai incrível desde então, e sei que do mesmo jeito que ele me assegura e conforta, ele fará o mesmo com você, quem sabe até melhor.
A gente se esforça pra te receber da melhor forma, e tomara que ainda seja assim pra todas as nossas recepções no decorrer da sua vida, por que você vai voar viu? Você vai ser livre pra ir e vir quando quiser, e da mesma forma que eu te espero agora eu vou esperar sempre. Com dor, medo, inseguranças e muito amor.
Ta aí! Acho q ser mãe e ter vários partos durante a vida de um mesmo filho.
Filha, eu te amo. Já amo, seus chutes, suas reboladas, seus pés na minha costela, seus soluços.
Essa carta foi feita com amor, amor de ventre, pois dizem que depois que você sair esse amor vai aumentar.
Então quando você ler essa carta, esse amor já não vai mais caber em mim e vai viver transbordando, e eu espero que transborde pela casa. Ah, aliás, eu costumo dizer que nossa casa somos nós mesmo e as vezes a gente faz casa em pessoas (espero que você já entenda isso), e eu vou sempre ser um lar pra você, como eu sou agora, como serei por 9 meses.
Eu te amo, nós te amamos. Tem um mundo te esperando, e sempre terá. O mundo é seu filha, nunca tenha medo de recebê -lo como presente.
Esse mundo não é perfeito, ninguém e nada é, mas você vai aprender a encaixar seus defeitos na vida e viver.
Eu te amo filha.
Com amor, mamãe.

A maternidade

                                    (Foto: Autorretrato feito com 4 meses de gestação) 

Com 19 anos eu descobri q tinha SOMP (Síndrome do Ovário Micro Policístico) por conta do uso de anticoncepcionais.
Não pude tomar contraceptivos por um bom tempo e fiz apenas o uso de um remédio pra "limpar" meus ovários e regular minha menstruação, já q por conta dos mini cistos eu não era nada regulada.
Como vivia - e vivo - em um relacionamento sério, diário e ativo (if you know what i mean rs), me preocupei com relação a contracepção já q eu não podia tomar nenhum remédio e camisinha nunca foi minha parceira de rotina. Como eu tomava esse remédio pra regularização, resolvi fazer tabela para NÃO engravidar. Deu certo até que...
                                               (Marca que fizemos no trailler onde estávamos )

No dia 29/11/2014 viajamos para o Sana para uma festa de grandes amigos nossos.
Foram 3 dias de festas e eu já não tomava mais o tal remédio pra regular minha menstruação pois não havia mais necessidade já que estava tudo sob controle. Porém, eu não havia feito ainda o exame pra ver se os cistos tinham sumido.
Pois bem, Sana, festa, e eu não tava nem aí pra tabela rs
Depois que voltamos pra casa fiquei preocupada e lá fui eu fazer as contas de tabela, e pelas contas eu já tinha ovulado, ou seja, não tinha como eu ter engravidado lá no Sana.
Isso aconteceu no fim de novembro e início de dezembro. Logo no início do mês eu comecei a sentir cólica, dor de cabeça, e uma dor insuportável nos seios, pensei: é a maldita que vai descer!
Chegou o dia da monstra descer e nada. Eu não suspeitei nem um pouco pois parecia muito uma TPM, a diferença é que eu sentia um sono fora do normal. Vivia tirando cochilo em qualquer lugar e a qualquer hora do dia. As vezes minha M atrasava uns 2, 3 dias, então não me preocupei.
No fim do mês Luizinho começou a desconfiar, e eu ainda certa de que não era nada, talvez os policistos loucos liberando hormônios.
Lembro que tomei decisões "engraçadas" por tudo q eu passava. Saí de uma banda, briguei com amigas, e comi uma pizza de calabresa kkkk (eu não gosto de pizza).
Enfim, no dia 30 de dezembro, véspera de Réveillon, eu ja estava a 15 dias atrasada, decidimos comprar um teste de farmácia, desses que se faz na primeira urina do dia.
E vocês acham mesmo que eu ia esperar até o dia seguinte?
Luizinho comprou o teste a tarde, 0h nós resolvemos fazer o teste.
Estávamos na casa da mesma amiga q comemorava as bodas onde Julia foi concebida rsrs
Entrei no banheiro pro banho, levei o teste e quando ia fechando a porta o Luizinho estava com um sorriso de orelha a orelha como quem já sabia.
Fiz xixi no copinho, mergulhei o teste e fiquei olhando... 1 listrinha...ok ... 2 listrinhas... Ai meu Deus!
Era uma segunda listra mais fraca q a primeira, mas ela estava lá. Eu sorri e cobri a boca, e me deu uma tremedeira do dedão do pé ao topo da cabeça. Catarina e Luizinho do outro lado da porta me esperando e eu dizia "Não sei se é positivo! mas acho q é sim!"


Nao satisfeita (ninguém fica com aquele pedacinho de `papelão` com duas listrinhas), pensei em fazer o Beta HCG no dia seguinte, mas era 31 de dezembro e demoramos algumas horas pra achar um lab q funcionasse. Achamos, mas o resultado so sairia 2 dias depois e pela internet. Eu entrava no site do lab toda hr pra ver se ja tinha saído rs 
Quando saiu o resultado (que era quantitativo), ainda sim eu ficava me perguntando se era real. Era real. A minha ficha caiu, ai sim eu chorei.
Foi um misto de alegria e medo, mesmas sensações q me acompanham até hoje.
Posso dizer que me tornei mãe desde aquele dia mesmo.
Mesmo não me sentindo na época, até me culpava por não ter me sentido plena desde o início, mas hoje vejo q na verdade eu já era mãe sem ter a tal plenitude da maternidade. Cortei álcool e cigarro na mesma hora, mudei alimentação, mudei rotina, era rígida com as consultas e exames de pré-natal... desde o início.
Encarei minha gravidez como algo mágico, do início ao fim.
E foi.

(Foto: Autorretrato com 6 meses de gestação)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dois pra lá e dois pra cá.

Depois de passear por tantas paixonites e crises poéticas, conheci e descobri algo que foi e é uma boa parte do que me tornei e torno a cada dia.
Sabem essas histórias de amor de novela, que toda trama acontece pra que algo dê errado, com vilões, desencontros e etc?
A minha , quer dizer, a nossa história foi bem assim.
Começou sem começo.

Eu não queria me prender a ngm, afinal eu tava no auge da minha juventude postiça (para entender, veja postagem anterior), e nem ele queria. Era um desses sofredores de amor, enquanto eu mantinha o meu discurso de "o amor é sujo, é cruel e não existe." 
Foi quando minha novela começou.
Fui beijada sem aviso prévio, e beijei sem planejar a pessoa que faria de mim mais humana, menos egoísta, mais doce, mais quem eu deveria ser.
Embarcamos numa sem medo, só com a certeza de que era aquilo mesmo que devíamos fazer, mesmo com tudo q nos ia contra, achamos um ao outro a nosso favor.

 Com menos de 3 meses de namoro veio a proposta: "Vem morar comigo?"
Pensei "Bem q seria uma boa! Deixar minha mãe viver a liberdade dela, e eu me deixar viver uma nova descoberta, uma nova fase..."
Mas pensei também: "Será que vai ser como tudo na minha vida é? Passageiro e intenso?"
Fui com medo, mas fui. Fomos, juntos, começamos a viver e a escrever a história das nossas vidas.
Claro que eu tô dizendo isso agora, porque na época éramos apenas dois apaixonados vivendo e descobrindo o que é o amor.

Mas eu devo dizer que a paixão e a descoberta nunca acaba, mesmo hoje com quase 3 anos de história, ainda somos aqueles protagonistas dessa novela maluca.
Eu sou louca pelo cara que me deu uma nova base, diferente da que eu tinha, mas bem melhor.
Eu aprendi com ele o valor de cada coisa q a gente faz na vida, de erros e acertos, de tentativas e perdões.
Eu sou completamente apaixonada por cada detalhe dele. Bom e ruim.
Eu sou feliz pelas nossas escolhas e supresas.
Sou grata por tê-lo.

Isso basta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O início da coreografia.

Vamos do início, bem do começo onde tudo começou a fazer sentido.
Não que uma vida antes da independência não faça sentido, mas as coisas começam a ter um valor real quando se tornam só suas. Suas atitudes, suas escolhas, seus erros tudo por você e por sua causa. Egoísmo? Talvez. Bom, pelo menos nesse início sim.

A minha vida 'egoísta' começou bem cedo, mas não por 100% de vontade minha. Sempre brinquei falando que moraria com minha família até os 30 anos. Seria assim se ela não se desfizesse antes.
Seria mais uma história triste e um texto deprimente se eu fosse contar, mas eu já superei essa coisa de ter perdido minha base tão cedo, e ter tido que me virar.
Me virei, revirei e rebolei pra não cair nessa de coitada.
Comecei a trabalhar e me sustentar bem nova, pra ser exata aos 16. Quando digo "me sustentar" não é só pagar minha comida e moradia, foi tudo, inclusive meus vícios e lazeres.
Comecei de estagiária não forense no MP, depois fui trabalhar em um Hotel e por fim capitalizei uma paixão e comecei a cantar na noite, o que me dava um dinheirinho bom e eu fazia algo q amava.

Nessa época eu morava com a minha mãe num quarto nos fundos da casa da minha tia. Foi uma época meio punk, meio bossa nova e rock'n'roll.
Eu vivia uma tristeza profunda por não ter mais um lar e uma familia bonitinha tradicional no qual eu havia vivido até ali, mas eu era bem feliz por ter saúde e pique pra fazer tudo o que eu queria, porque era isso que eu tava vivendo. Minha incrível independência aos 17 anos! 

Meu ritmo era intenso.
Intensidade: essa é a definição do início da minha vivência.
Uma vida começando... com muita música, álcool, cigarros, noites viradas, shows, trabalho, e muito pique.
Tive tudo que uma jovem sonha  ter, ainda mais eu que era fruto prisioneiro de uma criação bem rígida.
Eu vivi grandes paixões, grandes ilusões, grandes ganhos e perdas, grandes descobertas, tudo de forma intensa. Nada que durasse mais de 1 ano ou 1 hora, mas as coisas aconteciam de formas inesquecíveis pra mim.

Eu sentia até um pouco de falta de disciplina e tempo pro que eu vivia.
Não que eu não gostasse, mas não havia um limite pra eu pousar, eu não olhava por outros olhos. Nessa fase era eu e eu.... o tal egoísmo gritava na minha rotina.
Ao mesmo tempo que eu só me vivia, eu queria abraçar o mundo comigo.
Foi aí que aconteceu o inesperado pra aquilo tudo que eu passava.
A dança q era solta e sem ritmo, virou dança a dois...dois pra lá e dois pra cá.